O Protocolo de Resposta às Emergências Climáticas por Secas e Queimadas para a Indústria foi assinado nesta quinta-feira (26), durante o 11º Congresso de Inovação da Indústria, em São Paulo.
A iniciativa integra um acordo de cooperação entre o Serviço Social da Indústria (SESI), o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), com apoio estratégico da Sanofi. O projeto busca orientar a prevenção, a preparação, a resposta, a recuperação e as medidas pós-evento em situações extremas para fortalecer a capacidade de resposta do país e reduzir impactos à saúde e à atividade produtiva.

O diretor superintendente do SESI, Paulo Mol, acredita que o protocolo representa um avanço na organização das respostas diante desse cenário. “Este protocolo organiza como devemos agir em emergências, com definição de responsabilidades e integração entre os setores. Ele permite respostas mais rápidas e coordenadas, reduzindo impactos à saúde e à atividade produtiva”, afirmou.
As doenças respiratórias são a terceira principal causa de morte no mundo e afetam cerca de 454 milhões de pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) indicam que até 136 milhões de pessoas podem ser impactadas por eventos climáticos extremos no Brasil, como secas e queimadas, fatores que agravam quadros como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e asma.
Edenilo Baltazar Barreira Filho, representante do Ministério da Saúde, destacou a importância da preparação contínua. “O protocolo traz um olhar importante para eventos como secas e queimadas, que são mais silenciosos, mas atingem um número maior de pessoas e exigem preparação permanente do sistema de saúde.”
A Sanofi, parceira da iniciativa, abordou o papel da integração entre saúde e produtividade. “Quando falamos de clima e saúde, estamos falando também de produtividade e competitividade. Cuidar do trabalhador, nesse contexto, é estratégico para o presente e o futuro da indústria”, destacou Caroline Conte, diretora da área farmacêutica na Sanofi.

Diagnóstico, ações integradas e agravos à saúde
Elaborado por especialistas em saúde, segurança do trabalho, gestão de riscos e resposta a desastres, o protocolo está organizado em três eixos principais:
Diagnóstico: mapeamento de secas e queimadas, sua distribuição territorial, sazonalidade e impactos à saúde;
Ações integradas: definição de níveis de prontidão, governança, rotinas operacionais e articulação com SUS, Defesa Civil e bombeiros;
Agravos à saúde: orientações para atendimento de doenças respiratórias e cardiovasculares, grupos vulneráveis e saúde mental.
O documento também inclui capítulos específicos sobre DPOC e asma, desenvolvidos com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, além de diretrizes vacinais conectadas ao Programa Nacional de Imunizações. A implementação inicial ocorrerá em Mato Grosso e Goiás.

O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, destacou que o lançamento é resultado de uma articulação construída a partir das respostas às emergências recentes no país e do acúmulo de experiências do SESI nesse campo.
“Esse trabalho nasce de um conjunto de aprendizados construídos em situações reais de emergência e também do diálogo que estabelecemos com o Ministério da Saúde. É um desdobramento importante do acordo de cooperação que firmamos e reúne iniciativas institucionais voltadas à orientação, à formação e à disseminação de conhecimento para apoiar processos de resposta, reconstrução e adaptação”, afirmou.
Impacto direto na saúde e na indústria
Durante o Congresso, foi apresentado o painel “Os impactos das secas e queimadas na saúde e na competitividade da indústria”, desenvolvido pelo SESI-RJ em parceria com a Fiocruz e com patrocínio da Sanofi.
A ferramenta reúne séries históricas por município, incluindo dados de secas e queimadas, afastamentos do trabalho, internações, mortalidade e custos hospitalares. Também cruza indicadores ambientais com dados de saúde relacionados à DPOC, permitindo análises detalhadas por território, faixa etária e sexo.
Dados orientam ações
As reflexões levantadas durante o Congresso abrem caminhos para uma pergunta prática: como transformar esse diagnóstico em soluções concretas dentro da indústria? É nesse contexto que o SESI apresenta um conjunto de iniciativas que combinam tecnologia, prevenção e sustentabilidade para fortalecer a saúde do trabalhador.
Entre os destaques apresentados pelo SESI no Congresso está a ilha de simuladores, uma estrutura imersiva voltada à capacitação em segurança do trabalho. O espaço reúne simuladores para treinamentos em Normas Regulamentadoras (NRs), incluindo um cockpit para operação de escavadeiras e um game interativo para formação de integrantes da CIPA, ampliando o engajamento e a retenção de conhecimento.
Outro destaque é a Calculadora de Descarbonização da Saúde, desenvolvida em parceria com o SESI Ceará, SESI Mato Grosso do Sul e a Sanofi. A ferramenta permite medir, em CO² equivalente, o impacto ambiental de diferentes formas de atendimento e realização de exames, além de comparar trajetos, estruturas e métodos de coleta. A proposta é orientar decisões mais sustentáveis e eficientes, alinhadas aos desafios climáticos.
Já o holograma da embarcação SESI Saúde Conectada – Copaíba apresentou ao público uma solução inovadora para ampliar o acesso à saúde em regiões remotas da Amazônia. Com operação movida a energia solar e neutra em carbono, o projeto combina atendimento presencial e monitoramento remoto, com foco em doenças crônicas, saúde mental e condições respiratórias — diretamente impactadas por fatores ambientais.