Banco Vermelho gigante é inaugurado no SESI Lab e mobiliza indústria contra o feminicídio

Criado no Brasil em 2023, o movimento inspirou uma Lei Federal, que instituiu uma campanha nacional

Por: Iuri Tôrres - Agência de Notícias da Indústria
18/03/2026 - 14:33
Banco Vermelho gigante é inaugurado no SESI Lab e mobiliza indústria contra o feminicídio
O presidente da CNI, Ricardo Alban, inaugurou o banco vermelho do SESI Lab ao lado das idealizadoras do projeto: Paula Limongi (à esquerda) e Andrea Rodrigues (à direita, de preto). Foto: Gilberto Sousa/CNI
Quem circula pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, passa agora por um ponto impossível de ignorar: um Banco Vermelho gigante, instalado em frente ao SESI Lab. A estrutura, inaugurada nesta terça-feira (17), marca a adesão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) a uma mobilização nacional de enfrentamento ao feminicídio e à violência de gênero.

Com quatro metros de largura e dois metros e meio de altura, o banco transforma um objeto cotidiano em um alerta público. Mais do que um mobiliário urbano, é uma instalação permanente que convida o público a se envolver com o tema, seja ao sentar e refletir, tirar uma foto ou compartilhar as informações sobre prevenção e canais de denúncia que estão impressas no banco.


Foto: Gilberto Sousa/CNI

A iniciativa integra o movimento promovido pelo Instituto Banco Vermelho (IBV) e reforça o compromisso da indústria brasileira com a defesa da vida e dos direitos das mulheres. A mensagem estampada na estrutura - “Sentar e refletir. Levantar e agir” - sintetiza o chamado à participação da sociedade.

Durante a cerimônia de inauguração, o presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a importância da mobilização coletiva e do engajamento de toda a sociedade:

“Esses movimentos são sempre bem-vindos, embora desafiadores. A persistência é fundamental para que possamos alcançar resultados. Olhar o copo meio cheio nos dá mais força, e olhar o copo meio vazio às vezes nos deixa mais reflexivos do que proativos. Como diz a mensagem do Banco Vermelho, sentar e refletir, mas o mais importante é levantar, agir e mudar.”

Alban também deixou uma mensagem de esperança: “Espero que possamos, no futuro, ver esse banco cada vez menos vermelho, quem sabe caminhando para outras cores, como símbolo de uma transformação positiva. Que possamos acompanhar a evolução desses indicadores e construir uma sociedade melhor. Homens e mulheres devem caminhar lado a lado - essa é a melhor forma de avançarmos.”

A presidente do Fórum Nacional da Mulher Empresária da CNI, Mônica Monteiro, reforçou a urgência do enfrentamento à violência de gênero e o papel da indústria nesse processo.

“Os números não foram bons neste ano; pelo contrário, aumentaram. Então, precisamos da colaboração de todos, homens e mulheres, nessa mobilização. Uma das ações mais simbólicas é o Banco Vermelho, instalado em locais de grande circulação em todo o Brasil. A partir de hoje, o SESI Lab passa a ser um desses pontos em Brasília”, afirmou Mônica.

Do luto à luta

A presidente do Instituto Banco Vermelho, Andrea Rodrigues, destacou que o projeto nasceu de uma experiência pessoal e hoje se consolida como uma estratégia de prevenção:

“Esse instituto nasceu da transformação do luto em luta, após eu perder a minha melhor amiga para o feminicídio. Eu travei uma luta por justiça e entendi que não era só sobre ela, mas sobre a realidade de ser mulher em um país que está entre os que mais matam mulheres no mundo. Infelizmente, com os números que temos no Brasil, a mulher que morreu ontem já não é lembrada, porque hoje já houve outra. São, em média, quatro casos por dia. Não é possível trazer uma mulher morta de volta. Precisamos trabalhar com prevenção.”

Para a vice-presidente do Instituto Banco Vermelho, Paula Limongi, o caráter democrático da iniciativa é um dos seus principais diferenciais:

“Quando pensamos no projeto, buscamos algo democrático. O banco está em uma parada de ônibus, em uma escola, em uma igreja, em um hotel. Não é só o banco: quando uma instituição adere ao projeto, recebe uma política pública completa, com ações educativas.”


Alban recebeu do Instituto Banco Vermelho uma placa que registra que a CNI é a primeira confederação brasileira parceira do IBV na luta pelo feminicídio zero. Foto: Gilberto Sousa/CNI

Políticas públicas

A secretária de Justiça e Cidadania do DF, Marcela Passamani, reforçou a importância de políticas públicas voltadas ao tema, como o programa Direito Delas, que apoia mulheres em situação de violência no Distrito Federal, com atendimento psicológico e jurídico individualizados, além de ações de prevenção com os homens.

“Quando a gente fala em direito delas, mostramos que viver sem violência não é privilégio, é um direito. Está na Constituição Federal. Mesmo com campanhas e iniciativas, os dados são alarmantes. Hoje, a gente está errando em alguma coisa. Será que estamos preparando nossas filhas para perceber os sinais? Ou estamos reforçando esse ciclo? Se a gente quer filhos melhores do que a gente, a gente precisa começar agora”, alertou.

Lei e mobilização nacional

Criado no Brasil em 2023, o movimento do Banco Vermelho inspirou a Lei Federal nº 14.942/2024, que instituiu a campanha nacional como instrumento de conscientização e prevenção à violência contra a mulher. Pela legislação, os bancos devem conter mensagens educativas e informações sobre canais de denúncia, especialmente o Ligue 180, central nacional de atendimento à mulher em situação de violência.

Além do simbolismo, a iniciativa tem caráter educativo e informa sobre os cinco tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha - física, psicológica, moral, sexual e patrimonial -, destacando que a violência nem sempre deixa marcas visíveis.

A escolha do SESI Lab, localizado na Esplanada dos Ministérios, amplia a visibilidade da campanha em um dos pontos mais movimentados da capital federal, fortalecendo o alcance da mobilização e o diálogo com a sociedade.

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