SESI inicia projeto nacional de iniciação científica voltado à educação básica

Iniciativa do Conselho Nacional do SESI e do Departamento Nacional reúne professores em formação e busca ampliar a cultura de pesquisa nas escolas da rede

Por: Luisa Bretas e Vanessa Ramos
10/03/2026 - 17:36
SESI inicia projeto nacional de iniciação científica voltado à educação básica
Aula de abertura do projeto Iniciação Científica Pré-Universitária em Brasília. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI
O Conselho Nacional do SESI e o Departamento Nacional do SESI (CN-SESI) realizaram, nesta terça-feira (10), a aula de abertura do projeto de Iniciação Científica Pré-Universitária do SESI (ICP-SESI). A iniciativa busca fortalecer a cultura de pesquisa nas escolas da rede, incentivando professores e estudantes do ensino médio e dos anos finais do ensino fundamental a desenvolver projetos científicos no ambiente escolar.

A proposta está alinhada aos documentos orientadores da Rede SESI de Educação e tem como objetivo ampliar a presença da iniciação científica nas escolas da instituição. A iniciativa pretende estimular o pensamento investigativo entre os estudantes e consolidar a pesquisa como parte do processo formativo na educação básica.

A proposta do ICP-SESI é estruturar grupos de pesquisa nas escolas, orientados por professores, permitindo que os estudantes desenvolvam projetos científicos desde a formulação do problema de pesquisa até a apresentação dos resultados, com cronograma de duração de 20 meses, considerando a execução de trilha completa de pesquisa com a publicação final de artigo científico.

A iniciativa integra a estratégia do SESI de aproximar educação básica, ciência e inovação, preparando jovens para os desafios do mundo do trabalho e da produção de conhecimento.

Atualmente, a rede SESI reúne 259 escolas com projetos de iniciação científica, que somam 1.092 pesquisas em desenvolvimento e mobilizam 8.411 estudantes em diferentes regiões do país. Ao final do processo formativo, os participantes são incentivados a sistematizar os resultados em artigos científicos, ampliando o contato com práticas acadêmicas e com o universo da investigação científica.

Para o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, o Brasil já demonstra capacidade de produzir conhecimento científico de qualidade, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse conhecimento em inovação aplicada.

“O Brasil produz ciência e pesquisa de alto nível. Temos universidades e pesquisadores reconhecidos internacionalmente. O grande desafio é transformar esse conhecimento em soluções que cheguem à vida real das pessoas, em produtos, empresas, tecnologia e desenvolvimento econômico”, afirma.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Segundo Fausto, iniciativas de iniciação científica ainda na educação básica, especialmente quando vinculadas ao ambiente industrial, ajudam a encurtar essa distância entre conhecimento e aplicação prática.

“Quando o estudante começa cedo a desenvolver projetos científicos conectados com problemas reais, a gente constrói pontes que muitas vezes a própria universidade tem dificuldade de estabelecer. É assim que aproximamos ciência, inovação e indústria”, diz.

Ele destaca que essa conexão entre educação e mundo produtivo é essencial para o futuro do país.

“O nosso maior desafio é fazer a ponte entre a ciência produzida nas universidades e o setor produtivo. Se conseguirmos aproximar esses dois mundos desde a formação dos jovens, ampliamos a capacidade do Brasil de inovar e gerar desenvolvimento”, disse.

A gerente do Centro de Formação em Educação do SESI do Departamento Nacional, Kátia Marangon, afirma que a parceria é um importante passo para expandir a atuação em âmbito nacional.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

“A iniciação científica é algo que vem ganhando cada vez mais espaço nas práticas pedagógicas, sendo fundamental para o desenvolvimento do pensamento crítico e investigativo dos estudantes”, disse.

Para estruturar a iniciativa, foi realizado um diagnóstico sobre as experiências de iniciação científica já existentes nas escolas da rede SESI. A partir desse levantamento, o projeto prevê ações de formação para professores e estudantes, com foco na criação de grupos de pesquisa nas unidades escolares.

A proposta também inclui a realização de encontros nacionais de debate, como o pré-fórum e o Fórum de Iniciação Científica, além de ações de divulgação científica, entre elas a criação da Revista de Iniciação Científica Pré-Universitária, destinada a divulgar os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Para a gerente de Projetos do Conselho Nacional do SESI, Roberta de Oliveira, a iniciativa é um dos projetos estruturantes da instituição. Segundo ela, a proposta é fortalecer a iniciação científica na rede SESI e ampliar essas práticas para outras escolas e instituições parceiras.

“A iniciação científica do SESI é algo realmente fora do comum. Ao conhecer mais de perto os projetos e os clubes de ciência da rede, ficamos impressionados e decidimos estruturar essa iniciativa para dar um passo adiante. Este é o início de um processo de formação e troca de experiências, que deve apoiar a implementação do projeto nas escolas SESI em todas as regiões do Brasil”, afirmou.

Parceria com SESI Bahia

A iniciativa também conta com a parceria do Departamento Regional do SESI da Bahia, referência na promoção de projetos de iniciação científica na rede. A equipe do estado será responsável por conduzir, nos próximos dias, a formação de professores participantes do programa.

A formação será conduzida por Fernando Moutinho, mestre e doutorando em Química Orgânica, líder do HUB de Inovação em Educação do SESI Bahia e especialista em iniciação científica e tecnológica, e por Fabiane Lima, professora de História, historiadora e mestranda em Ensino, Filosofia e História das Ciências pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Coordenadora-geral da Feira Internacional de Iniciação Científica (FENIC) e especialista em educação científica, ela também integra a equipe responsável pelas atividades. A formação ocorre entre os dias 10 e 12 de março, em Brasília.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Para Fernando Moutinho, o contato com a iniciação científica ainda no ensino médio contribui para ampliar o interesse dos estudantes pela pesquisa e facilita o percurso acadêmico futuro. Segundo ele, quando o aluno chega à universidade já familiarizado com as etapas do método científico, tende a ter mais segurança para desenvolver projetos e se dedicar à investigação.

“O mais importante não é apenas o projeto que o estudante desenvolve no ensino médio, mas todo o processo para construí-lo. Do ponto de vista pedagógico, essa experiência é muito rica, porque estimula não só o conhecimento científico, mas também habilidades de argumentação, trabalho em grupo e comunicação”, afirmou.

O SESI Bahia acumula experiência na institucionalização da iniciação científica em suas escolas e é considerado referência nessa área dentro da rede. A formação também conta com a participação de professores que atuam diretamente nesses projetos nas unidades do estado.

Integram a equipe Camila Hohenfeld e Jamile Caldas, da Escola SESI Djalma Pessoa; Anderson Rodrigues, da Escola SESI Retiro; e Jaqueline Barbora, da Escola SESI Milton Santos, em Camaçari.

Fabiane Lima afirma que o momento de formação é voltado para trocar experiências e vivências, de modo a compartilhar como a metodologia do SESI Bahia foi implementada ao longo de mais de dez anos, possibilitando implementar grupos de pesquisa em cada região.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

“A política nacional de iniciação científica está alinhada à trilha formativa do projeto, que prevê um cronograma de 20 meses de atividades e entregas. Com apoio metodológico e prático, a expectativa é que, ao final desse processo, as escolas consigam implementar grupos de pesquisa capazes de transformar a curiosidade dos estudantes em soluções para desafios contemporâneos.”

Novo edital

Em abril, o Departamento Nacional do SESI lançará um edital voltado ao fortalecimento de projetos de iniciação científica nas escolas da rede. A proposta é incentivar a implementação e a estruturação dessas iniciativas nas unidades educacionais.

Cada escola poderá receber até R$ 20 mil para apoiar o desenvolvimento dos projetos. Os recursos poderão ser utilizados na aquisição de materiais e equipamentos, além da organização das atividades, que incluem planejamento pedagógico, formação de clubes de ciência e outras ações voltadas à pesquisa no ambiente escolar.

Confira aqui as fotos do evento.

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