Especial de Março: Mulheres na liderança por uma sociedade mais equitativa

Março reforça o debate sobre equidade e combate à violência de gênero na indústria

Por: Comunicação Institucional CN-SESI
09/03/2026 - 13:55
Especial de Março: Mulheres na liderança por uma sociedade mais equitativa
Março é o mês em que o mundo volta os olhos para o Dia Internacional da Mulher e para o balanço sobre o papel das mulheres na sociedade.

Nele, reconhecemos avanços conquistados, mas, sobretudo, refletimos sobre o que ainda falta para alcançar igualdade de direitos e de oportunidades.

No Brasil, embora sejam maioria da população (51,1%, segundo a PNAD Contínua do IBGE, 2023), as mulheres continuam minoria em espaços de decisão sobre orçamento, leis e estratégias de negócios.

Na Câmara dos Deputados, ocupam 18,1% das cadeiras (93 deputadas de 513); no Senado, 19,8% (16 senadoras de 81).


No mundo do trabalho, a presença feminina em postos de direção ainda é limitada: de acordo com o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam), do Ministério das Mulheres, mulheres de 25 anos ou mais em cargos de direção representavam 39,8% em 2024. O índice cai para 23,4% entre presidentas e vice-presidentes de centrais sindicais.

O Conselho Nacional do SESI tem duas conselheiras e uma suplente: Izabel Itikawa, Cida Trajano e Sônia Zerino. Essas mulheres fortalecem o CN-SESI como instituição estruturante das ações sociais da indústria e têm papel central na construção de uma sociedade equitativa, livre de preconceitos de gênero.

A trajetória para esses cargos de liderança, no mundo empresarial ou sindical, exige persistência. Para Izabel Itikawa, presidente da FIER e conselheira nacional, significou se afirmar diariamente em ambientes historicamente masculinos.



Foto: Marcio Mercante

“Vivi desafios que muitas mulheres ainda enfrentam: a necessidade de persistir e de demonstrar, diariamente, que capacidade, sensibilidade e firmeza podem caminhar juntas. Cada conquista feminina representa não apenas uma vitória individual, mas um avanço coletivo na construção de uma sociedade mais equilibrada e justa.”

Cida Trajano, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Vestuário (CNTRV) e conselheira, afirma que mulheres em funções de destaque inspiraram outras mulheres a enxergarem que também podem ocupar esses espaços.

“Acredito que, ao estarmos em posições de destaque, mostramos que as mulheres podem ir além do que muitas vezes imaginaram na juventude. Hoje mostramos que é possível ocupar esses espaços com competência, protagonismo e em condição de igualdade.”

Como primeira mulher a assumir a presidência de uma central sindical nacional, a presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), Sônia Zerino, afirma que o cargo representa avanço na luta por igualdade de gênero nas organizações dos trabalhadores.



Foto: Divulgação

“Historicamente, os espaços de direção sindical foram majoritariamente ocupados por homens. Quando uma mulher assume a presidência, isso ajuda a romper barreiras históricas e mostra que as mulheres também têm protagonismo na condução das lutas sindicais.”

Combate ao feminicídio: um pacto pela vida das mulheres

O mês de março também se torna um símbolo da urgente necessidade de combater o feminicídio, que é o assassinato de mulheres em contextos marcados pela desigualdade de gênero e discriminação.

De acordo com o Relatório Global sobre Feminicídios, da ONU Mulheres, em 2023, aproximadamente 51 mil mulheres e meninas foram assassinadas por seus parceiros ou familiares em todo o mundo. No mesmo ano, todos os dias, em média 140 mulheres e meninas foram assassinadas por uma pessoa de sua própria família. Os números evidenciam a urgência no combate à violência contra a mulher.

“O feminicídio é a expressão mais cruel dessa violência e representa uma ferida aberta que precisa mobilizar toda a sociedade. É um compromisso social, que exige coragem para educar, para conscientizar e para não tolerar qualquer forma de desrespeito ou agressão”, afirma Izabel Itikawa, que enfatiza que o enfrentamento à violência contra a mulher não é apenas uma pauta feminina.

Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio, representando um crescimento de 4,7% em relação a 2024.

Para a conselheira Cida Trajano, o combate à essa realidade começa pela mudança de cultura, especialmente na forma como educamos meninos e meninas.



Foto: Roberto Ferreira/CN-SESI

“Precisamos nos opor à ideia de que a educação deve ser diferente para cada gênero. Desde a infância, é fundamental ensinar que não existe relação de poder ou submissão entre homens e mulheres, mas sim de respeito, igualdade e parceria. Uma formação baseada nesses valores pode ajudar a romper e evitar a propagação da cultura machista”.

Neste Mês das Mulheres, o enfrentamento à violência contra a mulher exige a mobilização de homens, mulheres, famílias, gestões públicas e toda a comunidade.

“A violência contra a mulher viola direitos humanos; o silêncio favorece o agressor. Denunciar é ato de coragem e direito. As pessoas podem ligar no 180 para pedir ajuda e proteção. Nenhuma mulher está sozinha, o respeito não se negocia”, afirma a presidente Sônia Zerino.

SERVIÇO
-Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
-Serviço 24 horas, gratuito e sigiloso em todo o Brasil.
-Para denúncias de violência contra a mulher ou busca de ajuda.
-Orienta sobre direitos, encaminha para serviços próximos e registra denúncias.

Canais adicionais
WhatsApp: (61) 9610-0180
Site: gov.br/mulheres/ligue180
E-mail: central180@mulheres.gov.br

Emergência
Ligue 190 (Polícia Militar)

Esta é a primeira reportagem da série Especial de Março, dedicada a refletir sobre o significado do mês e sobre os motivos que levaram à criação das principais datas que o marcam, com foco nos direitos e na promoção da igualdade. A próxima matéria tratará da origem do Dia Internacional das Mulheres e de sua importância para o avanço de direitos sociais, trabalhistas e políticos das mulheres.

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