Movimento Empresarial pela Saúde lança Grupo de Trabalho para fortalecer ações do setor

Iniciativa liderada pelo SESI, CNI e SENAI passa a apoiar e fortalecer ações voltadas ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS)

Por: Beatriz Oeiras - Agência de Notícias da Indústria
25/02/2026 - 16:53
Movimento Empresarial pela Saúde lança Grupo de Trabalho para fortalecer ações do setor
Evento de lançamento do grupo de trabalho Cadeia de Valor da Indústria da Saúde foi realizado na CNI, em Brasília. Foto: Gilberto Sousa/CNI
O Movimento Empresarial pela Saúde (MES), iniciativa do Serviço Social da Indústria (SESI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), lançou nessa quarta-feira (25), em Brasília, o Grupo de Trabalho (GT) da Cadeia de Valor da Indústria da Saúde. A nova frente passa a integrar o movimento para fortalecer ações relacionadas ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).

“Defendemos um ecossistema em que desenvolvimento industrial e o acesso à saúde caminham juntos”, afirma o diretor-superintendente do SESI, Paulo Mol.


Diretor superintendente do Departamento Nacional do SESI no lançamento do GT da Cadeia de Valor da Indústria da Saúde. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Com essa diretriz, o MES amplia sua atuação ao incorporar um espaço técnico voltado ao diálogo entre setor produtivo e poder público. O objetivo é qualificar a contribuição da indústria na formulação de propostas e estratégias para o fortalecimento do CEIS, ao promover mais integração entre políticas públicas, base produtiva e inovação tecnológica.

“Nossa intenção é reunir lideranças em um processo estruturado, com diagnósticos claros e caminhos definidos. Para cada tema, é fundamental apontar encaminhamentos - seja na formulação de políticas, na priorização de recursos ou em ajustes regulatórios. Nem sempre a solução será imediata, mas é preciso ter direção”, completou Mol.

Indústria e saúde como agenda estruturante

O presidente do Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), Fausto Junior, destacou que o novo grupo de trabalho do MES é fundamental para fortalecer a articulação entre políticas públicas, inovação e desenvolvimento produtivo no país.


Fausto Augusto Junior reforça a importância do tripartismo durante a abertura do evento na manhã desta quarta-feira (25). Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

“O diálogo tripartite entre empresários, trabalhadores e governo reforça o papel estratégico do CEIS. Essa integração está alinhada aos debates que promovemos no SESI, pois permite articular demanda, produção e financiamento. Sobretudo, viabiliza investimentos capazes de levar saúde até a ponta, beneficiando diretamente os trabalhadores da indústria”, mencionou Fausto Junior.

Com a criação do grupo, o movimento passa a atuar em quatro eixos temáticos: Dados e Inteligência em Saúde; Promoção da Saúde e Prevenção; Modelos Assistenciais Sustentáveis; e Cadeia de Valor da Indústria da Saúde.

Saúde na indústria

O Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), ao qual o novo grupo se conecta, articula o sistema de saúde à base produtiva e tecnológica nacional. A estratégia integra indústria farmacêutica, fabricantes de equipamentos médicos, centros de pesquisa e serviços de saúde - incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS) - com o objetivo de reduzir vulnerabilidades externas e ampliar a autonomia do país em áreas estratégicas.

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda de Negri, ressaltou que a consolidação do CEIS exige alinhamento entre desenvolvimento produtivo e prioridades de saúde pública. Segundo ela, o Brasil possui mercado robusto, base industrial instalada e comunidade científica qualificada, o que cria condições para ampliar a inovação no setor de saúde. O desafio, de acordo com a secretária, é acelerar esse processo, superar entraves regulatórios e coordenar políticas públicas para consolidar um ambiente favorável ao desenvolvimento tecnológico.


Fernanda de Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, participou da abertura do evento. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

“No contexto de uma economia globalizada, não é realista imaginar que o Brasil produzirá toda a cadeia da saúde internamente. O desafio estratégico é identificar em quais segmentos o país possui competitividade e capacidade instalada, equilibrando desenvolvimento produtivo e prioridades de saúde pública”, afirmou Negri.

Setor produtivo e governo debatem o futuro do CEIS

Após o lançamento, autoridades públicas e representantes da indústria participaram de painel sobre o futuro do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

Ao relembrar a pandemia de Covid-19, Fernanda de Negri destacou que a crise sanitária evidenciou a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos. “A grande lição da pandemia é que precisamos desenvolver competências no Brasil para não ficarmos reféns em emergências sanitárias”, disse a secretária.

No debate sobre previsibilidade regulatória e acesso a tecnologias inovadoras, a secretária ressaltou a heterogeneidade do setor de dispositivos médicos - que abrange desde equipamentos de alta complexidade, como aceleradores lineares e aparelhos de ressonância magnética, até itens básicos, como luvas, máscaras e testes diagnósticos.

O presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, defendeu a preservação da independência regulatória da Anvisa como condição essencial para a segurança sanitária e para a previsibilidade necessária ao desenvolvimento sustentável do setor. Para ele, a autonomia técnica da agência é o que garante estabilidade na entrada de medicamentos inovadores e segurança jurídica para investimentos.

“Se a agência não fosse independente, possivelmente o Brasil estaria hoje em uma situação diferente. A independência é o que garante decisões técnicas e a proteção da saúde da população”, disse.

Representando a indústria de dispositivos médicos, o vice-presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, observou que o segmento historicamente não contou com uma política pública estruturada e contínua, diferentemente da indústria farmacêutica, que teve marcos relevantes, como a política de genéricos, que impulsionaram seu desenvolvimento.

Na perspectiva regulatória, o diretor-adjunto da Anvisa, Diogo Soares, enfatizou a importância de um ambiente normativo estável e sustentável para estimular investimentos e inovação. “A Anvisa precisa garantir previsibilidade e transparência para que a população tenha acesso às tecnologias inovadoras no tempo adequado. Em setores com ciclos tecnológicos curtos, atrasos regulatórios podem comprometer a competitividade e tornar produtos obsoletos”, afirmou.

Na oportunidade, o SESI e o Sindusfarma assinaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) voltado ao desenvolvimento de iniciativas conjuntas na área da saúde, com foco em educação e na preparação da indústria farmacêutica para uma nova era de inovação no Brasil.

O encontro reuniu executivos das 76 empresas-membro do Movimento Empresarial pela Saúde (MES), especialistas em Economia da Saúde e no Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), representantes de entidades do ecossistema da saúde e lideranças da CNI e do SESI, incluindo diretores e presidentes de federações estaduais da indústria.


Presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Junior, ao lado da Presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernanda Magano. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Sobre o MES

O Movimento Empresarial pela Saúde (MES) é uma iniciativa coordenada pelo SESI, pela CNI e pelo SENAI, que busca construir uma agenda propositiva para enfrentar desafios relacionados à saúde dos trabalhadores e à sustentabilidade da assistência no Brasil.

Confira aqui as fotos do evento.

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