Cine SESI + Curta Periferias encerra formação audiovisual na Maré com mostra de curtas-metragens

Evento apresentou sete curtas- metragens produzidos por jovens do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, em iniciativa da Firjan, apoiada pelo Conselho Nacional do SESI, por meio do Edital Conexão SESI 2026.

Por: Firjan
13/10/2026 -
Cine SESI + Curta Periferias encerra formação audiovisual na Maré com mostra de curtas-metragens
Foto: Mariana Raphael/CN-SESI
No último sábado (10/10), foi realizada a mostra de encerramento e premiação da formação Cine SESI – Curta Periferias, iniciativa desenvolvida pela Firjan SESI em parceria com a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, com financiamento do Conselho Nacional do SESI por meio do Edital Conexão SESI 2026. O evento aconteceu no Galpão Bela Maré com a participação do vice-presidente da Firjan, Leonardo Edde, e reuniu os sete curtas-metragens produzidos pelos jovens participantes da formação audiovisual realizada no Complexo da Maré.

O Cine SESI é um projeto desenvolvido na rede de escolas Firjan SESI desde 2021, articulando ações de cineclubismo e produção audiovisual como ferramentas pedagógicas para estimular a reflexão crítica, a criatividade e o protagonismo juvenil. Em 2026, o projeto ampliou sua atuação para o território da Maré por meio da formação Cine SESI – Curta Periferias, realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia e com execução das organizações locais, a UniPeriferias e o Observatório de Favelas.

A formação recebeu 137 inscrições e selecionou 40 participantes com idades entre 15 e 35 anos. Divididos em duas turmas, os estudantes participaram de 22 oficinas de audiovisual, abordando roteiro, fotografia, direção e outras etapas da realização cinematográfica. Ao final do processo, foram produzidas sete curtas-metragens que retratam diferentes perspectivas sobre o território da Maré e seus moradores.

Os vencedores foram os seguintes curtas-metragens: Entre a Maré, o Meu Mundo; Kemillym Luta; Migrantes – Conexão Maré x África; A Dança da Vida; Àdurà da Maré; Memórias da Mata e A Maré Ensina.

Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, destacou que a tecnologia acessível dos celulares funciona como chave de entrada para o que chama de “autonomia juvenil” e para o fortalecimento da memória comunitária e territorial.

Para ele, o papel do SESI é estar onde o trabalhador está, portanto, a vinculação ao território, por meio da produção audiovisual é um processo de criação de memórias em que as histórias são compartilhadas e preservadas. “Hoje, os jovens pegam o celular na mão, gravam e colocam no ar. A tecnologia do celular na mão desses jovens transforma o cotidiano em reflexão, qualificação profissional e capacidade de superação, permitindo contar e mostrar histórias antes que se percam. Isso faz toda a diferença”, pontuou.

O diretor de Educação da Firjan SENAI SESI, Vinicius Cardoso, enfatizou que o aprendizado se consolida ao longo da vida. “Tudo o que vale a pena na vida se constrói cumulativamente. As obras que os alunos produziram são eternas. A continuidade mais importante é a trajetória formativa", disse, convocando os alunos a seguirem na trilha de formação, buscando capacitação e criando oportunidades.

Vinicius Cardoso relembrou a oportunidade dos cursos oferecidos no Centro de Referência em Audiovisual, em Laranjeiras. “Já deixo aqui a sugestão para vocês se inscreverem. A Firjan SENAI oferece 80% de seus cursos gratuitamente, proporcionando formação técnica e certificação, que são valores importantes para a entrada no mercado de trabalho”, salientou.

Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Inovação e desconstrução de estigmas

O secretário Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio, Gabriel Medina, reforçou que o projeto revela a potência criativa do território, contrapondo narrativas pejorativas de escassez. “Mostra a esses jovens outras possibilidades além daquilo que se projeta de fora, que geralmente é violência e pobreza. Aqui há muita riqueza e coisas transformadoras sendo feitas com ferramentas acessíveis e baixo custo. A juventude tem se organizado nos coletivos culturais das favelas, e precisamos nos conectar com essas aspirações para voltar a fazer a juventude sonhar”, ressaltou.

Com uma ampla trajetória de atuação na Maré, o diretor-executivo da UniPeriferias, Felipe Moulin, enalteceu o ato de narrar a própria realidade, como mostram alguns dos curtas, como um ato de escolha e protagonismo diante do mundo. “Parabenizo vocês por estes anos, pela escolha de estarem aqui, pela dedicação de toparem o sabadão, o sol, o calor, acordar cedo para irem para as aulas e para fazerem os filmes. Quando vocês estão produzindo esses filmes, estão escolhendo as histórias sobre vocês que merecem ser contadas, e é isso que está em disputa. Vamos em frente, vamos contar nossas histórias”, celebrou.

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