Escola do SESI em Manaus alia educação e cuidado para filhos de trabalhadores da indústria

Com 1.563 alunos e 10 mil m² de área construída, unidade atende desde bebês de quatro meses até estudantes do 3º ano

Por: Vanessa Ramos e Daniele dos Santos
24/09/2026 - 18:35
Escola do SESI em Manaus alia educação e cuidado para filhos de trabalhadores da indústria
Agenda em Manaus inclui a visita à maior creche da América Latina. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI
Quando Maria Helena tinha cinco meses e meio, começou a frequentar a Escola SESI Dr. Francisco Garcia, em Manaus (AM). Para a mãe, Dydra Andrade, que trabalha na indústria, a segurança para deixar a filha ainda bebê foi construída na relação com as professoras e no acolhimento recebido desde os primeiros dias.

“Eu trabalho na indústria, então, para mim, é um ponto de apoio muito importante. Tenho uma troca incrível com as professoras. Aqui fui muito bem acolhida desde o berçário”, conta Dydra.

Hoje, Maria Helena tem 1 ano e 8 meses e, segundo a mãe, demonstra diariamente como se sente no ambiente. “Ela vem todo dia super feliz para a escola e isso me deixa tranquila. Não teve nenhum dia que ela chorou. E isso, para a gente que é mãe, é muito importante.”

A experiência das duas ajuda a dimensionar o papel da Escola SESI Dr. Francisco Garcia, visitada nesta quinta-feira (24) pelo Conselho Nacional do SESI. A unidade atende desde bebês de quatro meses até estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental e reúne, em um mesmo espaço, educação em tempo integral, saúde, alimentação, esporte e acompanhamento multiprofissional.

Atualmente, são 1.563 alunos matriculados — 698 na creche, 765 na pré-escola e 100 no Ensino Fundamental. Segundo a direção da unidade, a escola possui 10 mil m² de área construída e conta com 264 trabalhadores, entre empregados e terceirizados.

Durante a visita, o presidente do CN-SESI, Fausto Augusto Junior, percorreu os espaços da escola e acompanhou apresentações dos estudantes, entre elas uma atividade sobre a cultura amazônica e outra ligada ao programa bilíngue da unidade.



Para ele, o cuidado na primeira infância está diretamente relacionado ao desenvolvimento das crianças e ao apoio às famílias que trabalham na indústria.

“O SESI, desde muito cedo, está cuidando das crianças, apoiando as mães, os trabalhadores e as trabalhadoras da indústria e pensando no futuro. É cuidando dos pequenos que a gente constrói o futuro do nosso país”, afirmou Fausto.

Rotina das famílias

Às 6h, quando parte dos trabalhadores de Manaus começa a se deslocar para mais um dia de trabalho, a escola já abre as portas para receber as crianças. A estrutura inclui sala maker, programa bilíngue, quadra poliesportiva e atividades esportivas, além de uma equipe formada por profissionais de serviço social, pediatria, enfermagem, psicologia, nutrição, odontopediatria e pedagogia.

Para a gerente da creche da Escola Infantil SESI Francisco Garcia, Sinthia Cavalcante Medeiros, essa estrutura só faz sentido quando está associada ao acolhimento das crianças e de suas famílias.

“Falar da nossa escola é falar de pessoas, é falar de uma instituição que acredita na educação como instrumento de transformação, mas que também entende que educar exige presença, escuta, respeito e, sobretudo, humanidade”, afirma.

A psicóloga Deborah Damasceno também coloca o acolhimento no centro do trabalho desenvolvido pela equipe. “A natureza dessa escola, em especial pelo público que aqui frequenta, é o acolhimento. É o lugar da escuta, é o lugar do cuidado, é o lugar do abraço.”

Esse cuidado aparece também na alimentação. A nutricionista Selma Lucas de Souza explica que os cardápios são elaborados de acordo com as necessidades nutricionais das crianças e adaptados nos casos de seletividade alimentar ou restrições clínicas.



“Nosso serviço aqui de nutrição é o acompanhamento das crianças na hora da alimentação. Nossos cardápios são diferenciados de acordo com as necessidades nutricionais das crianças”, explica.

Além das refeições, a equipe desenvolve projetos de educação alimentar para estimular hábitos saudáveis e levar o aprendizado para além dos muros da escola, com a participação das famílias.

Na área de saúde, a unidade oferece ainda atendimento odontológico preventivo. Os alunos passam por avaliação clínica, profilaxia e aplicação tópica de flúor, além de participarem de atividades educativas sobre higiene bucal e alimentação saudável.

Segurança para trabalhar

A dimensão dessa estrutura ganha outro significado nas histórias das famílias que chegam à escola todos os dias. Uma delas é a de Neuza Félix, mãe de Bento.

“É uma escola que apoia a gente e ajuda bastante. Ele é muito feliz aqui, é bem cuidado. A gente agradece bastante”, conta Neuza, que leva o filho diariamente à unidade.

Para Thamiris Cristina Barros Barbosa, mãe de Mauricio, a decisão de deixar o primeiro filho na creche veio acompanhada das dúvidas comuns a quem vive a maternidade pela primeira vez. Antes de matriculá-lo, ela visitou a escola, levou os pais para conhecer o espaço e conversou com profissionais e outras mães do Polo Industrial de Manaus. Mauricio começou a frequentar a unidade aos seis meses.

“A creche do SESI é maravilhosa, essencial para as mães que trabalham no Polo Industrial de Manaus, assim como eu. Dão todo o suporte, tanto de educação quanto de alimentação. Eu, como mãe de primeira viagem, senti uma segurança gigantesca no SESI”, relata.

A adaptação do menino acabou sendo mais rápida do que ela imaginava.

“Na primeira semana, eu falo que ele só não me deu tchau porque não sabia me dar tchau. Ele era apaixonado pelas professoras. Até hoje ele fica muito feliz quando vê a escola, quando vê as professoras.”

A experiência fez Thamiris desejar que outras famílias tenham acesso ao mesmo tipo de atendimento. “Se puderem expandir a creche por outros lugares da cidade de Manaus, seria excelente. Acho que toda criança deveria ter a oportunidade de estudar em uma instituição assim.”

Entre os números que revelam o tamanho da escola e os depoimentos de quem confia diariamente os filhos aos profissionais da unidade, as próprias crianças ajudam a explicar o que encontram ali. Perguntada pelo pai, Douglas Correia Pereira, sobre o que mais gosta de fazer na escola, Laura Ketlen dos Santos Correia respondeu de forma simples: “Eu gosto mais de brincar.”

A visita integra a agenda do Conselho Nacional do SESI no Amazonas, voltada a conhecer experiências desenvolvidas pelo SESI no estado e ampliar o diálogo com as iniciativas realizadas nos territórios.

Confira aqui as fotos da visita.