Conecta Saúde 2026 aborda cuidado coordenado e sustentável para promoção da saúde integral populacional

Evento reuniu mais de 500 especialistas, gestores públicos e líderes empresariais no Centro Cultural da FIESP, em São Paulo

Por: Luisa Bretas, com contribuições da Agência de Notícias da Indústria
08/09/2026 - 16:15
Conecta Saúde 2026 aborda cuidado coordenado e sustentável para promoção da saúde integral populacional
Segunda edição do Conecta Saúde reuniu especialistas, gestores públicos e líderes empresariais. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI
Cuidado coordenado começa com conhecimento populacional, com este tema foi lançado, durante a segunda edição do Conecta Saúde, o VigIndústria Brasil 2026, um relatório que pretende identificar e mapear os fatores de risco e diferentes necessidades dos trabalhadores da indústria para apoiar as empresas a definir prioridades e a planejar ações de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas e da saúde mental.

O documento, inspirado no Vigitel – Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico do Ministério da Saúde, será um importante instrumento anual especializado no trabalhador da indústria e mais amplo.

O lançamento do documento converge com o tema abordado na segunda edição do Conecta Saúde, que trouxe como debate os desafios de realizar um atendimento coordenado, sustentável, com utilização da tecnologia e inovação, de modo a ampliar os serviços e oferecer jornadas contínuas de cuidado, prevenção e tratamento de doenças crônicas.


Diretor-superintendente do Departamento Nacional do SESI, Paulo Mól. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Durante a abertura, o diretor-superintendente do Departamento Nacional do SESI, Paulo Mól, enfatizou a importância de conectar as informações, para adquirir uma visão ampla da saúde no país e poder acompanhar a trajetória do trabalhador.

“Espero seja um momento de muita troca, que possamos compartilhar informações, de modo que esse assunto possa integrar a pauta da saúde, e ter sua relevância necessária, não apenas para o SESI, ou para a indústria, para que passe a inspirar política pública, saúde pública para termos um Brasil mais saudável”, afirmou.

Pensamento que também é do presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, que acredita que o debate é essencial para encontrar soluções para a atual conjuntura social.


Presidente do CN-SESI, Fausto Augusto Junior. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

“Com o envelhecimento e com a mudança do perfil demográfico dos perfis de adoecimento no Brasil, fica evidente que as doenças do envelhecimento são as que cada vez mais se configuram como o centro da discussão da política de saúde no Brasil. Se conseguirmos trazer para dentro da empresa o conceito de cuidado, de prevenção, a gente certamente vai avançar muito, não apenas na promoção da saúde do Estado, mas também na redução dos custos das empresas. Acreditamos que a saúde e a qualidade de vida podem e devem ser um vetor do nosso crescimento econômico e social”, disse.

O superintendente do SESI-SP, Alexandre Pflug, abordou o crescimento dos gastos com saúde e reforçou a necessidade de colocar o assunto entre as prioridades da agenda empresarial. “A gente sabe que os custos da saúde têm aumentado muito. É o segundo maior custo após a folha de pagamento e é algo que a gente precisa começar a tratar com mais carinho e mais cuidado”.


Superintendente do SESI-SP, Alexandre Pflug. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Desenvolvimento, integralidade e coordenação do cuidado

A segunda edição do evento trouxe especialistas nacionais e internacional para explanar e debater o tema. Na palestra “Por que a saúde coordenada integral vale a pena?”, o consultor internacional em Economia da Saúde e Estratégias para o Desenvolvimento da Saúde, André Cézar Medici, abordou a necessidade de transformar atendimentos isolados em uma jornada integrada.

“Nós podemos dizer que o cuidado é fragmentado quando os serviços tratam de episódios isolados de uma doença, sem compartilhar informação, sem ter um plano de ação estruturado. Para melhorar esse cenário, é preciso adotar decisões prévias e coordenadas que assegurem uma responsabilidade longitudinal sobre o histórico do paciente”, mencionou o especialista.

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Público lotou o teatro da FIESP, na avenida Paulista. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Segundo ele, o principal reflexo desse modelo fragmentado é o desperdício, que vai muito além dos custos financeiros de cada serviço. Ele se manifesta nas falhas de transição entre os atendimentos. Quando o cuidado é fragmentado, o risco clínico aumenta e gera perda de informação, decisões desconectadas e, fundamentalmente, uma transição insegura para o paciente.

Em seguida, com mediação de Mariana Ferrão, o público pôde acompanhar o painel “Da fragmentação ao fluxo coordenado”, com participação do médico sanitarista, professor da Universidade de São Paulo (USP), Gonzalo Vecina Neto, do superintendente de Saúde da Indústria no Departamento Nacional do SESI, Emmanuel Lacerda, e do médico e doutor em Saúde Coletiva, Denizar Vianna.

Para o professor Gonzalo, o evento é um importante momento para juntar as áreas da medicina que tratem da saúde integral.

“A saúde do trabalhador é uma área de atuação da medicina, e do outro lado, temos a assistência à saúde, que não fala da saúde do trabalhador. E estamos aqui justamente para discutir isso, como juntar esses dois lados”, disse.


Superintendente de Saúde da Indústria do SESI, Emmanuel Lacerda. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Para o superintendente de Saúde da Indústria do SESI, Emmanuel Lacerda, o Conecta Saúde evolui a cada edição, apresentando soluções e debatendo temas cada vez mais urgentes para o setor. Este ano, foi apresentada a Academia da Saúde da Indústria, que será um braço educacional do Movimento Empresarial pela Saúde (MES) e promove qualificação de gestores da área, de benefícios e do RH de empresas.

“O Conecta aprofunda as questões das tecnologias digitais, o impacto na prestação de serviços assistenciais para os trabalhadores da indústria. E, com a Academia da Saúde da Indústria, esperamos que impacte positivamente na vida de milhões de pessoas que estão trabalhando na indústria ou que são dependentes de trabalhadores dela", explicou.


Representante da ANS, Jaqueline Torres, no painel Quem coordena cuida melhor. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

O evento ainda contou com os painéis "Vigilância e Saúde do Trabalhador", "Quem coordena cuida melhor", "Saúde Figital: uma nova experiência de cuidado", uma conversa com Gustavo Gusso e Mariana Ferrão a respeito de “Soluções Estratégicas para Saúde Integral”, além da palestra de encerramento com a palestrante e ex-atleta Lais Souza.

Lais Souza compartilhou sua história de transformação, que exigiu persistência, força e um cuidado coordenado em diferentes frentes da saúde.

“Durante os anos que atuei atleta de ginástica, passei por 17 cirurgias ao longo da carreira, e isso exigiu muita fisioterapia, cuidado com minha saúde mental, recuperação dos movimentos. E isso não foi diferente quando sofri meu acidente em 2014, pelo contrário, fo quando mais precisei de toda essa atenção”, contou.

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Palestrante e ex-atleta Lais Souza. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

A experiência reforça uma das premissas discutidas ao longo do Conecta Saúde: não há saúde integral quando as dimensões física e mental são tratadas de forma isolada. Para trabalhadores e empresas, isso significa ampliar o olhar para prevenção, acompanhamento contínuo, cuidado com a saúde mental e identificação de diferentes necessidades de saúde ao longo da vida.

Ela também afirmou que o SESI trazer este tema de saúde integral para o evento é essencial. “Hoje não conseguimos mais avançar sem a tecnologia, e espero que, com meu olhar de uma pessoa com deficiência, que ela venha cada vez mais para somar e apoiar neste cuidado integrado”, concluiu.

Confira aqui as fotos do evento.