Embarcação do SESI começa a levar saúde pelos rios da Amazônia

Projeto também será apresentado na FIPA 2026 e reúne inovação, telemedicina e atendimento itinerante a trabalhadores da indústria em áreas ribeirinhas

Por: Hamanda Sena (FIEPA) e Luisa Bretas (CN-SESI)
19/05/2026 - 18:16
Embarcação do SESI começa a levar saúde pelos rios da Amazônia
Embarcação Copaíba inicia os atendimentos à população ribeirinha. Foto: Mariana Raphael/CN-SESI
A tecnologia aplicada à saúde começou a navegar pelos rios do Pará. A embarcação Saúde Conectada SESI – Copaíba iniciou oficialmente os atendimentos nesta terça-feira (19), em Barcarena, no nordeste paraense. A operação marca o início das atividades de uma unidade fluvial criada para ampliar o acesso à atenção primária em saúde para trabalhadores da indústria em áreas ribeirinhas da Amazônia, além de comunidades ligadas a esses territórios.

A cerimônia de lançamento ocorreu na sede da Colônia de Pescadores Z-13 e reuniu representantes da indústria, do poder público, de instituições parceiras e lideranças locais. Durante a programação, as autoridades também fizeram uma visita técnica à embarcação, que realiza atendimentos à comunidade vinculada à colônia.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, afirmou que o lançamento representa um passo importante para consolidar um projeto construído em parceria entre indústria, instituições de pesquisa e órgãos públicos.

“Este é um momento muito importante para a concretização de um projeto que, aos poucos, se transformou em um grande sonho construído por muitos parceiros. O SESI, por meio do Conselho Nacional, do Departamento Nacional e do Departamento Regional, a Universidade Federal do Pará, a WEG e o Ministério da Saúde fazem parte dessa construção coletiva”, disse.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Alex Carvalho ressaltou que a embarcação fortalece o acesso à saúde preventiva em comunidades ribeirinhas da Amazônia, especialmente em regiões impactadas por atividades industriais e com maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde.

“A embarcação permitirá ampliar o cuidado em saúde para populações que vivem e trabalham nessas regiões, promovendo uma ação social transformadora e necessária para a realidade amazônica”, afirmou.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Nesta primeira ação em Barcarena, os atendimentos serão voltados exclusivamente a pessoas previamente cadastradas e associadas à Colônia de Pescadores Z-13, dentro da linha de cuidado do programa Hiperdia, destinado ao acompanhamento e ao controle de hipertensão e diabetes. Os serviços são conduzidos por profissionais de saúde do SESI e incluem acolhimento, coleta de dados, aferição de pressão arterial e exames rápidos, no modelo point of care.

A expectativa é realizar cerca de dez atendimentos por dia durante a permanência da embarcação nesta etapa da ação.

A iniciativa integra um programa de expedições criado para ampliar o acesso à saúde em regiões ribeirinhas de difícil acesso, combinando estrutura fluvial, telemedicina e monitoramento remoto adaptados à realidade amazônica.

Para o superintendente do SESI Pará, Dário Lemos, o início da operação representa avanço no acesso à saúde para populações ribeirinhas da Amazônia, especialmente em regiões distantes dos centros urbanos.

“Esperamos que este seja o início de uma nova era para a saúde das populações ribeirinhas da Amazônia. Estamos levando dignidade por meio do acesso à saúde, chegando a regiões onde muitas vezes o atendimento não consegue alcançar. A embarcação foi pensada justamente para navegar em áreas de baixo calado e atender comunidades distantes dos grandes centros e das sedes municipais. Essa unidade móvel do SESI representa um marco importante porque aproxima o cuidado em saúde de pessoas que, muitas vezes, não têm condições de se deslocar para realizar uma consulta ou acompanhamento médico”, afirmou.

Tecnologia desenvolvida para a realidade amazônica

Projetada para operar nas condições de navegação da Amazônia, a embarcação tem 15 metros de comprimento, 6 metros de largura e duas cabines de atendimento. A estrutura foi preparada para enfrentar desafios como grandes distâncias, sazonalidade dos rios e dispersão geográfica das comunidades.

A unidade conta com consultórios climatizados, estações de telessaúde e conectividade via satélite. A estrutura permite integração com plataformas do SUS, realização de teleconsultas, telediagnóstico e acompanhamento remoto em áreas de difícil acesso.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Com propulsão 100% elétrica e sistema híbrido de geração de energia, a embarcação também foi concebida com foco em sustentabilidade ambiental e eficiência energética, alinhando inovação industrial e compromisso socioambiental na região amazônica.

Representante comercial da WEG em Belém e região, empresa parceira responsável pelos sistemas elétricos, motores e placas solares da embarcação, Leandro Onaga afirmou que o projeto une inovação tecnológica, sustentabilidade e impacto social voltado à realidade amazônica.

“Esse projeto reúne dois pilares muito importantes para a WEG: inovação e sustentabilidade. Poder contribuir com uma embarcação voltada ao atendimento de saúde em regiões ribeirinhas reforça o propósito de utilizar tecnologia para gerar impacto positivo na vida das pessoas”, afirmou Leandro Onaga.

O modelo foi estruturado prioritariamente para atender trabalhadores da indústria e seus familiares em regiões ribeirinhas, com possibilidade de expansão para comunidades ligadas às atividades produtivas locais. Entre as linhas de cuidado prioritárias estão hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, transtornos de ansiedade, obesidade, depressão, tabagismo e prevenção de cânceres mais letais ou incapacitantes.

Por meio da plataforma de saúde conectada, os pacientes poderão ser acompanhados à distância, com monitoramento contínuo, intervenções oportunas e ações de promoção da saúde e manutenção da capacidade laboral.

O superintendente de Saúde e Segurança da Indústria do SESI Nacional, Emmanuel Lacerda, disse que a embarcação reúne inovação, sustentabilidade e impacto social em um modelo voltado a ampliar o acesso à saúde na Amazônia.

“A embarcação une inovação, sustentabilidade e impacto social. Reúne soluções de engenharia naval, geração de energia solar, sistemas híbridos de otimização energética e tecnologia em saúde conectada para ampliar o acesso da população ribeirinha a atendimentos e serviços de saúde, inclusive à distância”, afirmou.

O superintendente do Ministério da Saúde no Pará, Delcimar de Sousa Viana, afirmou que a iniciativa fortalece a ampliação da atenção primária em regiões ribeirinhas e de difícil acesso da Amazônia.

“Essa parceria com o SESI é extremamente importante para fortalecer a atenção primária em saúde em regiões de difícil acesso da Amazônia. Embora estejamos atuando em Barcarena, sabemos que o Pará possui áreas ribeirinhas muito distantes dos grandes centros, como o Marajó, onde iniciativas como essa fazem diferença no acesso da população aos serviços de saúde. Esse trabalho conjunto contribui diretamente para ampliar o atendimento e fortalecer a saúde pública no estado e no país”, afirmou.

A secretária de Saúde de Barcarena, Nadja Varão, disse que a embarcação fortalece o acesso à saúde para comunidades ribeirinhas do município.

“O maior desafio no atendimento às comunidades ribeirinhas é o acesso. A chegada da embarcação Saúde Conectada SESI – Copaíba vai aproximar o cuidado da população e ampliar o acesso à saúde com tecnologia e inovação em Barcarena”, afirmou.

Parcerias fortalecem atuação da embarcação

O projeto reúne o Conselho Nacional do SESI, o Departamento Nacional de Saúde e Segurança da Indústria do SESI, o Ministério da Saúde e o SESI Pará. Nesta primeira ação em Barcarena, a Hidrovias do Brasil atua como parceira operacional da iniciativa junto à Colônia de Pescadores Z-13, no âmbito das ações de responsabilidade social desenvolvidas pela empresa na região.

O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, afirmou que a iniciativa amplia a presença da instituição em territórios onde o acesso aos serviços de saúde ainda é um desafio.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

“Estamos inaugurando uma nova forma de levar saúde, cuidado e presença às populações da Amazônia. A missão do SESI é estar onde o trabalhador da indústria está, e isso inclui chegar a regiões mais distantes, com soluções capazes de responder às necessidades de cada território”, disse.

Segundo Fausto, o projeto também ganha força simbólica por ser lançado no ano em que o SESI completa 80 anos.

“Navegar pelos rios amazônicos levando atendimento à população dialoga diretamente com a nossa história e com o nosso compromisso social. Acreditamos no SUS, na complementaridade e na construção conjunta de caminhos para fazer a saúde chegar a todos os brasileiros”, afirmou.

O diretor-superintendente do SESI Nacional, Paulo Mól, destacou que a iniciativa combina inovação, presença territorial e compromisso social.

“Estamos embarcando em algo inovador, humano e transformador. Este é um projeto vitorioso porque representa a missão do SESI de levar saúde, dignidade e qualidade de vida às pessoas. Sabemos que o desafio é grande, mas o nosso propósito é fazer com que atendimentos essenciais cheguem a quem mais precisa”, afirmou.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Segundo Paulo Mól, a embarcação amplia o alcance da saúde ao unir tecnologia, conectividade e atendimento local.

“Este barco é muito mais do que um meio de transporte. Ele funciona como uma unidade de atendimento equipada com tecnologia que permite conexão remota com profissionais de saúde. É a tecnologia sendo utilizada para aproximar pessoas, superar distâncias e ampliar o acesso à saúde”, disse.

Francisco Cortinas, diretor de Relações Institucionais da Hidrovias do Brasil, reforçou a importância de projetos construídos a partir das necessidades locais das comunidades atendidas.

“Como temos presença operacional no município, entendemos a importância de apoiar iniciativas que contribuam diretamente para as comunidades locais. Essa ação complementa outros projetos que já desenvolvemos junto à Colônia Z-13 e reforça nosso compromisso com uma atuação sustentável, construída a partir das necessidades da região e em parceria com instituições como o SESI e a FIEPA, para que a comunidade esteja cada vez mais assistida”, afirmou.

A presidente da Colônia de Pescadores Z-13, Marlúcia Miranda, afirmou que a chegada da embarcação representa um momento histórico para os pescadores artesanais atendidos pela associação.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

“Esse atendimento representa um momento histórico para os pescadores artesanais da nossa colônia. É uma iniciativa muito importante para a comunidade, especialmente pela qualidade do atendimento em saúde oferecido à população ribeirinha. A parceria construída ao longo dos anos com a Hidrovias do Brasil e agora com o SESI fortalece ainda mais esse cuidado com os trabalhadores da região”, afirmou.

Saúde acessível para todos


A primeira pessoa a ser atendida no Copaíba, Lucilde Ferreira, moradora da Ilha das Onças. "O atendimento foi maravilhoso, o médico foi super atencioso, explicando tudo que preciso fazer para cuidar da minha saúde", contou.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

Para a pescadora artesanal, Maria Eliana Silva, nascida e criada no Rio Arrozal, graças à tecnologia, é possível que os ribeirinhos possam ter acesso a consultas e atendimentos de forma simplificada.

"Essa ação é louvável, porque nós como ribeirinhos, temos dificuldade ao acesso à saúde e, agora, com esse avanço tecnológico, facilita muito para podermos nos consultar. Sempre tivemos muita dificuldade para conseguir um horário ou coisas simples como uma ficha ou uma receita, e agora isso é possível", afirmou.


Foto: Mariana Raphael/CN-SESI

O pescador Pedro Paulo Santos Balieiro compartilhou que foi recebido de uma forma muito humana e acolhedora. "Não sou só eu que preciso disso, é a população inteira." 

O projeto também será apresentado durante a programação da Feira da Indústria do Pará (FIPA) 2026, maior feira industrial da Amazônia, por meio de conteúdo audiovisual sobre a operação da embarcação e os impactos da iniciativa nos rios do Pará. O evento ocorrerá de 20 a 23 de maio, no Hangar, em Belém.


Após a primeira etapa de atendimentos em Barcarena, a embarcação seguirá com novas ações voltadas a trabalhadores da indústria em áreas ribeirinhas da região.

Confira aqui as fotos do primeiro dia de atendimentos.