MES leva executivos a Barcelona para imersão em uso de dados em saúde

Agenda foca no modelo catalão de saúde para aprender como a integração de dados clínicos pode otimizar a gestão e a continuidade do atendimento no Brasil

Por: Beatriz Oeiras - Agência de Notícias da Indústria, com contribuições do Conselho Nacional do SESI
13/04/2026 - 16:38
MES leva executivos a Barcelona para imersão em uso de dados em saúde
Foto: Shutterstock

Já pensou em fazer um exame em um estado e conseguir acessar os dados da consulta e os resultados em outro, por meio de um mesmo sistema? Essa é a proposta da interoperabilidade de dados.

O nome é complicado, a dinâmica é simples, mas é preciso entender essa aplicação e como funciona a padronização e o sistema de segurança. E é exatamente isso que um grupo de empresas e suas lideranças farão, na Espanha, entre hoje (13) e sexta-feira (17).

Os representantes institucionais de empresas como Vale e Fundação Zerrenner, da Ambev, entre outras, além de integrantes do Ministério da Saúde (MS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS), participarão de uma missão internacional voltada ao fortalecimento da integração de dados em saúde no Brasil. A agenda inclui a análise do modelo catalão de saúde, referência internacional no tema.

O programa executivo é liderado pelo Movimento Empresarial pela Saúde (MES), iniciativa do Serviço Social da Indústria (SESI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

Mas, vamos entender melhor o que é interoperabilidade de dados?

O foco da proposta é a comunicação entre diferentes bases de dados para compartilhar o histórico do paciente com segurança, ética e eficiência.

A Espanha já está alguns passos à frente nesse tema. A escolha do país para a missão não é por acaso: ela está diretamente ligada ao modelo adotado na Catalunha, considerado referência internacional em interoperabilidade de dados em saúde.

Por lá, esse processo começou a ser estruturado entre 2007 e 2009, com a criação da Història Clínica Compartida de Catalunya (HC3). Com o uso de mecanismos de interoperabilidade, os dados passaram a circular entre os serviços de saúde da comunidade autônoma, que tem cerca de 8 milhões de habitantes. Segundo relatório da EHTEL, com base em dados do CatSalut (Serviço Catalão de Saúde), o sistema hoje conecta toda a rede pública da região, permitindo que as informações do paciente sejam acessadas de forma integrada em diferentes pontos de atendimento.

E o quer isso muda na prática? Isso faz diferença no dia a dia do atendimento. Com a interoperabilidade, o médico pode acessar o histórico completo do paciente, incluindo exames, diagnósticos e atendimentos anteriores, mesmo que tudo tenha sido feito em instituições diferentes. O resultado? Menos repetição de exames, mais segurança e decisões clínicas mais rápidas.

No Brasil, esse movimento começou a ganhar forma em 2020, com a criação da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). A iniciativa já permite, por exemplo, consultar o histórico de vacinação pelo Conecte SUS. Apesar dos avanços, a integração entre sistemas e a conexão entre as redes pública e privada ainda evoluem de forma gradual.

Como será a missão?

A agenda inclui visitas técnicas a centros de excelência, indústrias e instituições acadêmicas, com o propósito de aprofundar o conhecimento sobre soluções que viabilizam a circulação integrada do histórico clínico entre diferentes pontos de atenção à saúde. O objetivo é contribuir para a adaptação de boas práticas ao contexto brasileiro, promovendo, especialmente, o avanço na integração entre os sistemas público e privado de saúde.

Para o superintendente de Saúde do SESI, Emmanuel Lacerda, a missão internacional representa uma oportunidade estratégica para avançar em soluções concretas de integração de dados no país.

“O cenário mudou bastante nos últimos anos. Hoje, o desafio é conseguir conectar e usar essas informações de forma inteligente. Quando isso não acontece, conseguimos muita informação, mas pouca ação. A expectativa é que a experiência em Barcelona ajude a apontar caminhos para transformar esses dados em cuidados mais eficientes e em resultados concretos e seguros para o paciente”, afirma.

Durante a missão, a delegação busca compreender como modelos mais avançados estruturam, na prática, a integração entre dados, tecnologia e cuidado. Para a conselheira nacional do SESI, Cida Trajano, a agenda em Barcelona representa uma oportunidade de aproximação com referências internacionais capazes de inspirar reflexões e aperfeiçoamentos no contexto brasileiro.

“A experiência é importante porque nos permite observar, na prática, como outros contextos vêm estruturando soluções e caminhos para qualificar o cuidado. Esse contato amplia nossa visão e pode contribuir para o fortalecimento de estratégias voltadas à saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras no Brasil.”

O chefe da delegação do Conselho Nacional do SESI em Barcelona, Warley Soares, afirma que a expectativa ao longo da semana é analisar como esses sistemas operam de forma integrada.

Segundo ele, “a experiência deve contribuir para fortalecer o papel do CN-SESI na construção de uma agenda nacional de saúde digital, articulada com o Departamento Nacional da instituição e os regionais, com foco em trabalhadores e empresas.”

Já a presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernanda Magano, destaca que a iniciativa amplia o diálogo entre instituições, especialistas e o controle social em torno de uma agenda estratégica para o país.

“Esta iniciativa tem valor justamente por criar um espaço de escuta, troca e construção entre diferentes atores que atuam na saúde. Em temas tão decisivos como a saúde digital, é fundamental que o debate não fique restrito à dimensão tecnológica, mas incorpore também o compromisso com o interesse público, com a participação social e com a qualidade do cuidado oferecido à população”, conta Magano.

Secretário-adjunto de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Ilano Barreto, destacou que o programa pode contribuir para o fortalecimento do ecossistema brasileiro de inovação e saúde digital.

“Acredito que a experiência da Catalunha, especialmente por suas parcerias bem-sucedidas entre os setores público e privado, seja uma referência importante e possa inspirar o SUS a avançar na incorporação de tecnologias com impacto na vida da população brasileira.”

Gerente de Saúde da Eurofarma, Cristiane Leite, destaca o potencial das empresas a partir do diálogo com diferentes atores do setor da saúde.

"É preciso aliar a qualidade da saúde dos trabalhadores e de suas famílias à capacidade de a indústria se desenvolver e prosperar."

A agenda é articulada em parceria com o Conselho Nacional do SESI (CN-SESI) e com correalização do IEL (Instituto Euvaldo Lodi), com a participação do Ministério da Saúde (MS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

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